DE ONDE
VEM A RIQUEZA DOS SUPER-RICOS DO MUNDO
Pesquisa usa ranking anual de bilionários da revista ‘Forbes’ para descobrir de quais setores vem a sua riqueza. Mercado financeiro e setor de tecnologia têm destaque
Pesquisa usa ranking anual de bilionários da revista ‘Forbes’ para descobrir de quais setores vem a sua riqueza. Mercado financeiro e setor de tecnologia têm destaque
Anualmente a revista “Forbes” publica
o seu ranking de bilionáriosdo mundo. Apesar
do crescimento lento da economia mundial, em 2015, o clube dos super-ricos
atingiu a marca 1.826 pessoas, superando o recorde anterior, estabelecido em
2014. Mas quem são esses bilionários e de onde sua riqueza vem?
O estudo “As origens dos Super-ricos”,
realizado pelas pesquisadoras Caroline Freund e Sarah Oliver, do Peterson
Institute for Internacional Economics, instituição de pesquisa sem fins
lucrativos baseada em Washington, usa esses dados para entender os super-ricos.
O trabalho
busca responder a algumas questões que estão ligadas à concentração de renda no
globo. Por exemplo: esses bilionários são herdeiros ou construíram as próprias
fortunas? Sua riqueza vem do setor produtivo ou do mercado financeiro?
Segundo o
estudo, o clube dos super-ricos é mais dinâmico do que se pensa. Atualmente, a
maior parte dos bilionários construíram as próprias fortunas. O Brasil não é
representativo dessa tendência mundial. No país, a maior parte da riqueza é
herdada.
Como funcionou o trabalho?
A pesquisa se
baseia em informações coletadas entre 1996 e 2015 no ranking de bilionários da revista
“Forbes”. Essa organiza dados sobre participação acionária em empresas,
declarações financeiras das companhias, e reuniões com candidatos para listar
todos os indivíduos do mundo com mais de US$ 1 bilhão em patrimônio líquido em
determinado ano.
O trabalho
agregou esses bilionários de acordo com o setor da indústria que melhor
representa a origem de suas fortunas, nas seguintes categorias: setores ligados
a recursos naturais (como minérios ou petróleo), setores novos (que incluem,
por exemplo, a indústria de tecnologia), setores produtores de bens exportáveis
(que inclui bens industriais e alimentos, por exemplo), setores produtores de
bens não exportáveis (como o setor de mídia e de construção) e setor
financeiro.
O dólar se
desvalorizou desde 1996, o que significa que US$ 1 bilhão na época representa
mais dinheiro do que US$ 1 bilhão em valores atuais. O estudo levou isso em
conta e fez as mesmas comparações excluindo os super-ricos cuja fortuna não
somaria US$ 1 bilhão se os valores de 1996 fossem corrigidos pela inflação. Em
linhas gerais, as diferenças não foram relevantes, mesmo com essa ressalva.
A
riqueza dos super-ricos vem de suas famílias?
Não
necessariamente. Em todas as regiões do mundo, o volume total de fortunas
aumentou principalmente por causa do surgimento de novos super-ricos, e não
através do aumento da riqueza de quem já era super-rico. Essa distinção é
importante porque diz respeito à forma como a renda tem se concentrado, se com
mobilidade social ou apenas através da concentração de mais dinheiro nas mãos
de quem já era rico.
Nem sempre foi
assim. Em 1996 a maior parte das fortunas eram herdadas. Mas já em 2001, 58%
dos bilionários tinham construído as próprias fortunas, uma mudança em grande
parte explicada pelo boom do setor de tecnologia, diz o trabalho.
A parcela de
bilionários que herdou as próprias fortunas é maior na Europa (35,8%) do que
nos Estados Unidos (28,9%).
ORIGEM DA RIQUEZA (%)
Na década seguinte essa tendência se
intensificou com o crescimento acelerado do número de bilionários de países em
desenvolvimento. O boom dessas economias foi acompanhado pela criação de novas
fortunas. Em 1996 a China não tinha nenhum bilionário, e o Japão, 40. Em 2015 a
China tinha 213 bilionários, e o Japão, 24.
Na Europa, a
concentração de bilionários se moveu para o leste. Na Rússia, novas fortunas
foram criadas no setor petrolífero, por exemplo. Em 1996, a Alemanha tinha 47
bilionários, e a Rússia, nenhum. Em 2015, a Alemanha tinha 103 e a Rússia, 88.
A importância
do papel dos novos bilionários não significa que aqueles que já eram ricos não
tenham ficado ainda mais endinheirados. Cerca de 20% do aumento da riqueza nas
mãos de bilionários no período se deve ao enriquecimento de quem já fazia parte
do clube.
De
onde vem a riqueza dos super-ricos?
O estudo
analisa o que gerou o aumento do número de bilionários e da riqueza total na
mão deles nos Estados Unidos, na Europa e em outros países desenvolvidos - como
o Japão e Coreia do Sul, por exemplo.
Entre 1996 e
2014 o mercado financeiro respondeu por 40% do crescimento no número de
bilionários nos Estados Unidos. Na Europa, o setor exportador responde pela
maior parte dos novos ricos: 43,4%. O setor financeiro responde por apenas
13,5%.
ALTA DO NÚMERO DE BILIONÁRIOS (%)
Fundos de
hedge - que têm autorização para realizar operações financeiras mais arriscadas
e em geral recebem aplicações de alto valor de investidores experientes -
tiveram um papel fundamental nos Estados Unidos. Eles respondiam por menos de
10% da riqueza do setor financeiro americano em 2000, e por 22% em 2015.
ALTA DAS FORTUNAS (%)
Setor de
tecnologia
As fortunas
nos Estados Unidos também tendem a ser menos ligadas a heranças porque há no
país uma proporção maior de bilionários do setor de tecnologia, diz o estudo.
Eles são 56 pessoas, ou 12% dos bilionários. Na Europa são 17 pessoas, ou 5%
dos bilionários.
Os “novos
setores”, que englobam o setor de tecnologia, responderam por 19% do aumento no
número de bilionários nos Estados Unidos, e na Europa, por 12,7%.
E o Brasil?
O trabalho não
analisa o caso brasileiro especificamente, mas traz dados sobre os bilionários
do país. Em 2014 eles responderam por 3,9% dos bilionários do mundo.
47,7%
Dos
bilionários brasileiros são herdeiros
18,5%
Vêm do setor
financeiro
21,5%
Fundaram as
próprias companhias
4,6%
Enriqueceram
com base em conexões políticas ou em áreas ligadas a recursos naturais. Segundo
o estudo “um bilionário é identificado como politicamente relacionado se houver
notícias conectando sua riqueza a posições que ocupou no governo, parentes no
governo ou concessões questionáveis”.
Há no país uma
proporção maior de super-ricos herdeiros do que no mundo. A distribuição está
em linha com aquela do resto da América Latina.




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