ONDE O BRASIL É MAIS AFETADO PELA CRISE FINANCEIRA INTERNACIONAL?
Redução do Produto Interno Bruto,
aumento da inflação, baixo crescimento da indústria, entrada de capital
estrangeiro e menos vagas de emprego são alguns dos principais efeitos que a
economia brasileira pode sentir a partir da crise internacional
O Brasil tem
apresentado certa solidez econômica e um mercado consumidor forte, crescente e
dinâmico; porém, por estar inserido no contexto econômico globalizado, dentro
de um cenário que permite a aproximação de mercados, está sujeito às
contaminações externas decorrentes da estagnação nos mercados mundiais.
Os efeitos da
crise financeira internacional têm potencial para atingir os países emergentes
com enorme rapidez, considerando a natureza das relações de mercado entre as
nações. Dessa forma, os efeitos colaterais dessas turbulências podem
perfeitamente ser transportados a todo cômputo global, com variações de
intensidade entre as economias, sejam elas deficitárias, emergentes ou
avançadas. O Brasil, naturalmente, também sente os impactos das crises
econômicas no mundo desenvolvido.
Seguem abaixo
algumas das principais variantes que afetam o cenário nacional diante da
atmosfera de incertezas que paira sobre as maiores economias:
Redução do Produto Interno Bruto (PIB):
O PIB
brasileiro cresceu modestos 0,79% no mês de agosto/2014, segundo o Instituto
Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (ibre/FGV).
A
explicação para esse baixo crescimento pode ser encontrada no início da década,
quando, em 2010, houve muito estímulo ao mercado através de políticas
macroeconômicas, com a intenção de blindar a economia dos reflexos da crise
externa de 2009. O Brasil estimulou demais a economia, que cresceu fortemente
em 2010, com PIB na ordem de 7,5%. Tal estímulo resultou numa equação que
elevou demais a pressão inflacionária, pois, com a economia aquecida e mais
dinheiro em circulação, veio a inflação como consequência no início de 2011.
Isso obrigou o Banco Central a aumentar os juros e limitar o crédito, com a
intenção de conter o ímpeto dos consumidores e controlar a economia.
Essa
contenção atingiu potência máxima no segundo semestre de 2011, justamente
quando houve o agravamento da crise europeia. Tais medidas ainda geram efeitos
nos índices econômicos atuais.
Então, a
queda no PIB é resultante da atitude do governo em "puxar o freio"
econômico para controlar os índices inflacionários. O resultado é um
crescimento muito abaixo até das expectativas mais pessimistas do governo.
Inflação:
A inflação
não acompanha apenas o crescimento econômico, mas também surge em períodos de
estagnação; pois, durante uma crise, geralmente ocorre o aumento dos gastos
públicos, com a liberação de compulsórios bancários e as medidas de incentivo
ao consumo. Isso resulta em aquecimento do mercado e consequente inflação.
Quando existe
estagnação, aumentam os gastos do governo, e muitas vezes o Estado passa a
gastar mais do que a capacidade, ocasionando o aumento nos preços. Então, mesmo
quando uma economia se encontra estagnada, o aumento da moeda em circulação,
injetada através da elevação dos gastos públicos, pressionará os preços para
cima. Esse é o cuidado que deve existir nas políticas de incentivo ao consumo
das famílias, pois, quanto maiores forem as medidas de estímulo, maior será
também a demanda, bem como a expectativa de inflação na economia.
O Relatório
do Mercado Focus prevê para o final de 2014 uma inflação de 6,32%.
Baixo Crescimento da Indústria:
A crise
internacional prejudica largamente a indústria, pois a desvalorização do dólar
tira a competitividade dos produtos nacionais e torna as importações mais
atrativas, o que desestimula a atividade interna.
Além
disso, a ênfase de exportações de produtos básicos também afeta a indústria
nacional, gerando um efeito de desindustrialização, prejudicando os estados que
possuem os maiores parques industriais, que aos poucos perdem espaço no
contexto de mercado para as transações comerciais que envolvem as commodities, que possuem
baixa oscilação de preços e têm demanda mundial constante.
Outro fator
que afeta negativamente a indústria é a entrada de capital estrangeiro, que
pressiona a valorização do real, encarece e tira a competitividade das
exportações e impulsiona as importações.
Entrada de Capital Estrangeiro:
O Brasil tem
grande preocupação com relação à expansão monetária, que é fruto da injeção de
liquidez que os países europeus vem realizando na Faixa do Euro. No momento em
que Banco Central Europeu injeta grandes somas nas economias avançadas, ocorre o
que é chamado de "tsunami monetário", termo metaforizado pela
Presidente Dilma Rousseff. Com essa injeção de recursos nas instituições do
continente, os países emergentes são prejudicados, pois as suas indústrias
passam a perder competitividade, pois essa entrada de recursos externos
encarece a moeda local.
Com
cada vez mais dinheiro sendo injetado nas economias desenvolvidas, a prática da
especulação financeira cresce no Brasil; pois, com a taxa de juros praticada no
país, será aqui que os especuladores internacionais vão despejar essa liquidez
adicional. Com o Brasil sendo um dos principais destinos do capital
especulativo, ocorre o fortalecimento do real, pois a entrada maciça de dólares
pressiona o câmbio, gerando a valorização da moeda doméstica e a redução das
exportações, interferindo negativamente nos índices de crescimento.
Mercado de Trabalho:
A crise
internacional também gera efeitos no emprego, pois geralmente se abate sobre o
mercado de trabalho e ajuda a enfraquecer a geração de novas vagas com
carteira, que, naturalmente, tende a perder fôlego por conta de desaceleração
da atividade interna.

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