A
PREPOTÊNCIA DO MERCADO FINANCEIRO NA FORMAÇÃO DE CONSENSOS
A
conversinha da “confiança” oculta a usurpação das decisões e das informações
que afetam a vida dos cidadãos
A economia brasileira foi enfiada no buraco da depressão pelos
corifeus da “confiança”, uma forma degenerada de exprimir a complexidade da
análise keynesiana a respeito das expectativas empresariais diante da incerteza
radical em que são tomadas as decisões de gasto e investimento. Keynes dizia:
“Nosso
conhecimento dos fatores que governarão o rendimento de um investimento alguns
anos mais tarde é, em geral, muito limitado e, com frequência, desdenhável.
Para falar com franqueza, temos de admitir que as bases de nosso conhecimento
para calcular o rendimento provável, nos próximos dez anos ou mesmo cinco anos,
de uma estrada de ferro, uma mina de cobre, uma fábrica de tecidos, um produto
farmacêutico patenteado, uma linha transatlântica de navios ou um imóvel na
City de Londres se reduzem a bem pouco e às vezes a nada”.