No filme O Exterminador do Futuro, um computador altamente
inteligente se torna autoconsciente e começa um holocausto nuclear, que
aniquila a raça humana, deixando algumas poucas almas valentes para
combater os robôs. A data fictícia do catastrófico evento, agosto de
1997, passou sem que ocorresse essa distopia tecnológica.
No entanto, embora não devamos temer que as máquinas
terminem com nossa vida, o medo de que acabem com nossos meios de
subsistência é cada vez maior.
O temor é baseado na observação de que cada vez mais máquinas ou sistemas de computadores
executam tarefas até então consideradas exclusivas do ser humano.
Quando os computadores assumirem todos os trabalhos, o que nós faremos?
Terminaremos como os cavalos, anteriormente importantes “trabalhadores”,
mas substituídos há tempos por máquinas?
Essas previsões sombrias surgem da falta de entendimento
dos princípios econômicos. Na economia, o preço (o salário, no caso do
emprego) varia para assegurar que a oferta se iguale à demanda e que
existam poucos recursos subutilizados. Portanto, o problema não será de
desemprego, e sim de desigualdade — caso as ocupações sejam
desigualmente substituídas por computadores.
Por que o desenvolvimento
tecnológico é causa de maior desigualdade? A resposta está na atenção
dada às tarefas. Categorizar os profissionais pelo que fazem se torna
uma distinção importante: alguns realizam tarefas manuais rotineiras
(como caixas de lojas, operários de fábricas, caixas de banco), enquanto
outros executam tarefas intelectuais não rotineiras (escritores,
cientistas, CEOs).
Os computadores podem realizar as tarefas manuais
rotineiras facilmente, tomando o lugar dos trabalhadores que as
desempenham. Mas os empregados intelectuais não são facilmente
substituíveis — e, na verdade, produzem mais graças aos computadores,
seja porque conseguem mais informações, seja porque podem distribuir o
resultado de seu trabalho de forma mais simples. Essa distinção é um
potente prognosticador dos trabalhos que serão substituídos pelas
máquinas.
Por conseguinte, sempre existirá emprego suficiente. A
questão é se nós, como sociedade, estaremos dispostos a aceitar os
desiguais salários dos mercados resultantes. O que podemos fazer para
evitar que o desenvolvimento tecnológico deixe para trás algumas partes
da sociedade?
A solução deve ser a educação e a contínua atualização
das pessoas, de modo a garantir que todos possam se beneficiar da
tecnologia e que ninguém termine como um “cavalo”.
Morten Olsen é professor de economia do Iese Business School.
Fonte: https://exame.abril.com.br/carreira/o-homem-obsoleto/
Acesso em: 20 jan. 2018.

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