
Brasília – O Brasil perdeu 20.832 postos de trabalho
em 2017, terceiro ano seguido no vermelho apesar do início da
recuperação econômica e da vigência das flexibilizações trabalhistas
defendidas pelo governo para impulsionar o número de vagas.
Em dezembro, houve o fechamento líquido de 328.539 postos,
apontou o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado
pelo Ministério do Trabalho nesta sexta-feira.
O resultado no mês veio melhor que a perda de 411 mil
empregos projetada por analistas em pesquisa da Reuters, e também
representou a melhor marca para dezembro, que é tradicionalmente
negativo, desde 2007 (-319.414 postos).
Houve criação líquida de 2.574 vagas de trabalho intermitente no último mês do ano, sob os efeitos da reforma trabalhista.
Ao propô-la, o governo do presidente Michel Temer defendeu
que as flexibilizações legislativas ajudariam na retomada do emprego. No
ano, esse saldo foi de 5.641 postos, considerando a vigência da reforma
a partir de novembro.
Apesar de seguir no campo negativo, o fechamento de vagas
formais em 2017 representou forte melhoria sobre o ano anterior, quando
foram encerrados 1,327 milhão de empregos, e sobre 2015, quando o saldo
ficou no vermelho em 1,535 milhão de vagas, na série com ajustes.
O desempenho no ano passado foi influenciado principalmente
pelo fechamento líquido de 103.968 vagas na construção civil e de 19.900
na indústria da transformação.
Ficaram no azul, por outro lado, o comércio (+40.087), a agropecuária (+37.004) e o setor de serviços (+36.945).
De maneira geral, o mercado de trabalho tende a responder de
maneira tardia ao ciclo econômico, tanto em momentos de desaceleração
quanto de recuperação. O ministério do Trabalho trabalhava com a
perspectiva de encerrar o ano próximo do zero a zero.
“Para os padrões do Caged, esta redução em 2017 é
equivalente à estabilidade do nível de emprego, confirmando os bons
números do mercado na maioria dos meses do ano passado e apontando para
um cenário otimista neste ano que está começando”, afirmou em nota o
ministro do Trabalho substituto, Helton Yomura.
Nos três meses encerrados em novembro, a taxa de desemprego
caiu a 12,0 por cento, segundo dados mais recentes divulgados pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mesmo patamar
registrado no fim de 2016, porém refletindo ainda o aumento da
informalidade.
Fonte: https://exame.abril.com.br/economia/brasil-perde-quase-21-mil-empregos-formais-em-2017-mostra-caged/
Acesso: 28 jan. 2018.
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