EM TEMPOS DE CRISE, PROTAGONISMO NA CARREIRA É
AINDA MAIS IMPORTANTE
É fato: a
instabilidade econômica fez muitas empresas enxugarem os investimentos em
Treinamento e Desenvolvimento (T&D). De outro lado, os profissionais,
empregados ou à procura de uma nova oportunidade de trabalho, sabem que é
preciso estar preparados para se manter competitivos diante do crescente número
de demissões registrado nos últimos dois anos no país. Essa realidade é sentida
por instituições de ensino que oferecem cursos de extensão e pós-graduação.
Licínio Motta, professor e diretor da pós-graduação da
ESPM-SP, onde o número de alunos em 2016 apresenta crescimento de 10% na
comparação com 2015, diz que o perfil do indivíduo conta muito nessa hora.
“Divido os profissionais em dois grandes grupos: o primeiro decide criar um
diferencial na carreira e busca, por conta própria, uma especialização, pois
sabe que se estiver mais bem qualificado pode se destacar caso a empresa tenha
que escolher entre ele ou outro colega de trabalho. Já o segundo grupo acaba
adiando o início do curso, pois não acredita ser tão urgente naquele momento
ou, então, porque realmente não tem condições financeiras de fazê-lo.”
Para aqueles que acreditam que os investimentos em
T&D devem ser uma iniciativa unicamente da empresa, os especialistas
aconselham rever o conceito.
“Quem delega essa responsabilidade exclusivamente para a
organização corre o risco de não explorar as oportunidades de capacitação
disponíveis, comprometendo o seu desenvolvimento e abrindo espaço para
profissionais que assumem o protagonismo em sua carreira e, com isso, demandam
menos investimento das empresas”, diz Daniel Garcia Correa, diretor de
Pós-Graduação e Extensão do Centro Universitário Senac.
Motta concorda. Para ele, cada vez mais essa
responsabilidade está nas mãos do profissional e, cada vez menos, das empresas.
“Existem companhias que contratam cursos fechados para os funcionários, mas, em
tempos de crise, esse modelo tende a ficar mais restrito. O profissional é cada
vez mais protagonista de sua carreira.”
O diretor do Senac frisa que tempo e dinheiro não são
impeditivos para o profissional investir no seu desenvolvimento. “Existem
opções bastante flexíveis para todos os públicos. A prova disso é a ampla
oferta de cursos a distância – pagos e gratuitos”, completa.
Natacha Bertoia, coordenadora de Cursos de Educação
Continuada da Universidade Presbiteriana Mackenzie, também dá uma dica para profissionais que, neste momento,
precisam “driblar” a crise: “Quem não quer
assumir um compromisso financeiro de longo prazo pode optar por cursos de curta
duração, mais pontuais e direcionados para uma única temática, garantindo uma
atualização em sua área profissional ou mesmo o aprendizado de uma nova técnica
ou ferramenta para otimizar as atividades”.
Ela também confirma que, apesar do cenário de crise
econômica no Brasil, observa-se o aumento da demanda por cursos de
especialização como forma de garantir a empregabilidade ou ampliar as
possibilidades de atuação profissional. E concorda que, cada vez mais, é
responsabilidade de cada um buscar desenvolvimento. “O colaborador não pode
‘ficar esperando’ a empresa promover o seu desenvolvimento total, ele também
precisa prover capacitações para a aquisição de conhecimentos e aprimoramento
de habilidades que sejam inerentes ao cargo ou à função desempenhada na
empresa”, salienta.
Correa ressalva que, apesar disso, as organizações não
estão isentas de cuidar da carreira de seus colaboradores: “Claro que as
empresas também têm parcela relevante de responsabilidade, pois, através da
capacitação, podem melhorar seus processos e serviços. Para muitas, a área de
T&D é parte da estratégia de competitividade”.
Para turbinar a carreira
Profissionais em busca de autodesenvolvimento geralmente
têm objetivos claros e desejam impulsionar a carreira, se reposicionar no
mercado de trabalho, ampliar o networking ou desenvolver habilidades técnicas e
comportamentais específicas. Além de cursos de extensão e pós-graduação, os
entrevistados deram algumas dicas para quem está em busca de aperfeiçoamento
profissional:
– Manter uma rede de
relacionamento que permita estar sempre atualizado e saber das novas
oportunidades de trabalho.
– Estar sempre
disposto a buscar novos conhecimentos.
– Manter o LinkedIn
atualizado, de forma verdadeira, e escolher a rede de relacionamentos que fará
nesta rede profissional.
– Fazer trabalho
voluntário ou ter ligação com algum projeto social que tenha significado para a
pessoa amplia a visão de mundo, traz uma experiência diferente e é visto de
forma muito positiva no mercado.
– Competências pessoais, como comunicação,
trabalho em equipe, relacionamento interpessoal e liderança, também devem
receber atenção, pois podem ser fundamentais para a carreira do profissional,
tanto na promoção quanto nos momentos de recolocação.
– Por fim, dominar outros idiomas, mais que um
diferencial, torna-se uma exigência em determinadas empresas e áreas de
atuação.
Fonte: http://www.abrhbrasil.org.br/cms/materias/noticias/em-tempos-de-crise-protagonismo-na-carreira-e-ainda-mais-importante/
- Acessado em 04/10/2016.

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