terça-feira, 4 de outubro de 2016

EM TEMPOS DE CRISE, PROTAGONISMO NA CARREIRA É AINDA MAIS IMPORTANTE


EM TEMPOS DE CRISE, PROTAGONISMO NA CARREIRA É AINDA MAIS IMPORTANTE


É fato: a instabilidade econômica fez muitas empresas enxugarem os investimentos em Treinamento e Desenvolvimento (T&D). De outro lado, os profissionais, empregados ou à procura de uma nova oportunidade de trabalho, sabem que é preciso estar preparados para se manter competitivos diante do crescente número de demissões registrado nos últimos dois anos no país. Essa realidade é sentida por instituições de ensino que oferecem cursos de extensão e pós-graduação.

Licínio Motta, professor e diretor da pós-graduação da ESPM-SP, onde o número de alunos em 2016 apresenta crescimento de 10% na comparação com 2015, diz que o perfil do indivíduo conta muito nessa hora. “Divido os profissionais em dois grandes grupos: o primeiro decide criar um diferencial na carreira e busca, por conta própria, uma especialização, pois sabe que se estiver mais bem qualificado pode se destacar caso a empresa tenha que escolher entre ele ou outro colega de trabalho. Já o segundo grupo acaba adiando o início do curso, pois não acredita ser tão urgente naquele momento ou, então, porque realmente não tem condições financeiras de fazê-lo.”
Para aqueles que acreditam que os investimentos em T&D devem ser uma iniciativa unicamente da empresa, os especialistas aconselham rever o conceito.
“Quem delega essa responsabilidade exclusivamente para a organização corre o risco de não explorar as oportunidades de capacitação disponíveis, comprometendo o seu desenvolvimento e abrindo espaço para profissionais que assumem o protagonismo em sua carreira e, com isso, demandam menos investimento das empresas”, diz Daniel Garcia Correa, diretor de Pós-Graduação e Extensão do Centro Universitário Senac.
Motta concorda. Para ele, cada vez mais essa responsabilidade está nas mãos do profissional e, cada vez menos, das empresas. “Existem companhias que contratam cursos fechados para os funcionários, mas, em tempos de crise, esse modelo tende a ficar mais restrito. O profissional é cada vez mais protagonista de sua carreira.”
O diretor do Senac frisa que tempo e dinheiro não são impeditivos para o profissional investir no seu desenvolvimento. “Existem opções bastante flexíveis para todos os públicos. A prova disso é a ampla oferta de cursos a distância – pagos e gratuitos”, completa.
Natacha Bertoia, coordenadora de Cursos de Educação Continuada da Universidade Presbiteriana Mackenzie, também dá uma dica para profissionais que, neste momento, precisam “driblar” a crise: Quem não quer assumir um compromisso financeiro de longo prazo pode optar por cursos de curta duração, mais pontuais e direcionados para uma única temática, garantindo uma atualização em sua área profissional ou mesmo o aprendizado de uma nova técnica ou ferramenta para otimizar as atividades”.
Ela também confirma que, apesar do cenário de crise econômica no Brasil, observa-se o aumento da demanda por cursos de especialização como forma de garantir a empregabilidade ou ampliar as possibilidades de atuação profissional. E concorda que, cada vez mais, é responsabilidade de cada um buscar desenvolvimento. “O colaborador não pode ‘ficar esperando’ a empresa promover o seu desenvolvimento total, ele também precisa prover capacitações para a aquisição de conhecimentos e aprimoramento de habilidades que sejam inerentes ao cargo ou à função desempenhada na empresa”, salienta.
Correa ressalva que, apesar disso, as organizações não estão isentas de cuidar da carreira de seus colaboradores: “Claro que as empresas também têm parcela relevante de responsabilidade, pois, através da capacitação, podem melhorar seus processos e serviços. Para muitas, a área de T&D é parte da estratégia de competitividade”.
Para turbinar a carreira
Profissionais em busca de autodesenvolvimento geralmente têm objetivos claros e desejam impulsionar a carreira, se reposicionar no mercado de trabalho, ampliar o networking ou desenvolver habilidades técnicas e comportamentais específicas. Além de cursos de extensão e pós-graduação, os entrevistados deram algumas dicas para quem está em busca de aperfeiçoamento profissional:
– Manter uma rede de relacionamento que permita estar sempre atualizado e saber das novas oportunidades de trabalho.
– Estar sempre disposto a buscar novos conhecimentos.
– Manter o LinkedIn atualizado, de forma verdadeira, e escolher a rede de relacionamentos que fará nesta rede profissional.
– Fazer trabalho voluntário ou ter ligação com algum projeto social que tenha significado para a pessoa amplia a visão de mundo, traz uma experiência diferente e é visto de forma muito positiva no mercado.
–  Competências pessoais, como comunicação, trabalho em equipe, relacionamento interpessoal e liderança, também devem receber atenção, pois podem ser fundamentais para a carreira do profissional, tanto na promoção quanto nos momentos de recolocação.
–  Por fim, dominar outros idiomas, mais que um diferencial, torna-se uma exigência em determinadas empresas e áreas de atuação.

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