AJUSTES FISCAIS É DESAFIO PARA ALÉM DE 2015
Especialistas em contas públicas apontam que
ajustes fiscais precisam ser feitos para manter direitos e o crescimento
Um velho
desafio volta a rondar o país em um momento de baixo crescimento da economia e
de debates sobre o futuro cenário político: o ajuste fiscal. As projeções pouco
otimistas de analistas do mercado financeiro no último Boletim Focus do Banco
Central apontam para um Produto Interno Bruto de apenas 1,04% e uma inflação
alta em 6,29% em 2015, o que reforça a previsão de que os próximos quatro anos
serão de folga curta no orçamento e urgência de ajustes nas contas públicas.
Especialistas
ouvidos pelo Brasil Econômico são unânimes em dizer que a garantia da
manutenção, e até da expansão, de programas sociais e de investimentos em
infraestrutura, necessários para a retomada do crescimento econômico, passam
pela adoção de medidas de longo prazo e que incluam a sociedade em um debate
que vá além da tarefa de se atingir o superávit primário.
“Com
baixos investimentos e perda de produtividade, mesmo que a conjuntura
internacional seja favorável, só o crescimento econômico não será suficiente
para resolver o problema estrutural das contas públicas no Brasil”, avalia
Fernando Rezende, professor da Escola Brasileira de Administração Pública, da
Fundação Getúlio Vargas (Ebape).
“Ao longo
dos anos se acumularam muitos direitos no orçamento e a parcela livre para
outras despesas ficou reduzida. Não há espaço para manter as demandas
existentes. É preciso iniciar um processo de reforma. Debater se com o que
temos conseguiremos manter as desonerações às empresas, sustentar o ritmo de
crescimento e todos os programas sociais”, completa.
Para o
tributarista Maucir Fregonesi Júnior, do Siqueira Castro Advogados, um controle
de gastos não deve significar a redução de direitos e ganhos sociais. Para ele,
rever o inchaço da máquina pública, por meio da redução de ministérios, é uma
das saídas viáveis.
Olhando para o atual cenário político, o ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento, Raul Velloso acredita que o ajuste fiscal em 2015 deve seguir uma antiga fórmula: “Ou se busca um novo imposto ou se revive um imposto antigo”.
Olhando para o atual cenário político, o ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento, Raul Velloso acredita que o ajuste fiscal em 2015 deve seguir uma antiga fórmula: “Ou se busca um novo imposto ou se revive um imposto antigo”.
“Quem
está fora sabe que há um leque de possibilidades a se mexer. Mas o desafio é
grande para quem for asssumir. Se for Dilma, vai manter o que se fez até testar
a reação dos investidores. A cobrança por mudanças viria muito mais forte na
hipótese de não ser ela a assumir o poder”, diz Velloso, que também acredita em
uma revisão das desonerações concedidas a 56 setores da indústria.
Especialista
em Orçamento Público pela FGV, Gabriel Leal de Barros defende que um ajuste
fiscal baseado no aumento da carga tributária e na contenção de investimentos
não serão suficientes para aliviar o orçamento. Segundo ele, o governo precisa
mexer na política parafiscal, que envolve a capitalização dos bancos públicos.
“Gasta-se,
em média, 10% do PIB com o financiamento do Tesouro Nacional aos bancos
públicos e ao BNDES. O governo precisa reduzir as capitalizações e aumentar o
custo para esse empréstimo. O subsídio hoje é cavalar e afeta bastante a conta
de juros da dívida pública e o déficit do governo”, ressalta Barros, que
acredita que o o desafio do ajuste fiscal tem uma solução viável. “Tem
jeito. Mas nenhuma medida sozinha ou pontual vai resolver” conclui.

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