terça-feira, 23 de maio de 2017

Mercado já considera que Michel Temer não se sustenta mais

Para o mercado, resta saber se a saída de Temer será por renúncia ou cassação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Mercado já considera que Michel Temer não se sustenta mais

Consenso é que o governo acabou e agora, resta saber qual será a melhor saída dele. Pelo menos mais dois anos difíceis virão pela frente

Após a primeira interrupção das negociações da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) nesta quinta-feira (18/05) desde outubro de 2008, ano do estouro da crise financeira global, analistas de mercado não tem mais dúvidas que o governo do presidente Michel Temer acabou. O consenso é que o peemdebista não conseguirá mais se sustentar no poder e que o pior dos cenários está se concretizando agora com a denúncia comprometendo o chefe do Executivo feito pelos donos do frigorífico JBS e que foi recém-homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator da Lava-Jato.


O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, é taxativo quanto à sustentação de Temer no poder. “O governo acabou, não tem chance de continuar desse jeito. A expectativa é que o novo presidente seja eleito indiretamente logo e que ele consiga seguir com as reformas encaminhadas. Se for alguém sem traquejo político ficará difícil levar as reformas, especialmente porque o timing estará apertado com o segundo semestre se aproximando com a agenda eleitoral de 2018”, afirmou. Ele avisa que, agora, vai ser difícil para o país sair da recessão. “Dado que parece que tem muita coisa para aparecer ainda, a turbulência ficará conosco por um bom tempo. Serão dois anos bem difíceis daqui para frente”, completou.

O circuit breaker, mecanismo que suspende o pregão quando a bolsa cai mais de 10%, foi acionado após 21 minutos de abertura e as negociações foram interrompidas por 30 minutos. O Índice Bovespa, principal indicador da bolsa paulista, estava em queda de 9,22%, por volta das 12h30, e a expectativa é que novas interrupções ocorram ao longo do dia. O dólar futuro já está sendo cotado acima de R$ 3,40.

Logo após o início do pregão, o Tesouro Nacional suspendeu a venda de títulos públicos prefixados e indexados à Selic (taxa básica de juros) dada a “volatilidade observada no mercado”. Isso mostra que a desconfiança dos investidores no país aumentou. O Banco Central interveio no câmbio queimando reservas, realizando dois leilões de contratos de swap,que somaram quase US$ 3 bilhões. Isso não foi suficiente para segurar a alta do dólar no mercado à vista. A moeda subiu 7,67% por volta das 13h, quando estava cotado a R$ 3,37 para venda.

Resta agora saber se a saída de Temer será por renúncia ou cassação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem julgamento marcado para o próximo dia 6 de junho. A expectativa é que a decisão possa ser antecipada. “O mais correto para Temer seria renunciar, porque ele disse em nota que não fez nada, mas, quando vier a gravação, ele não vai ter como se explicar”, destacou André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

Na avaliação de Perfeito, essa nova crise política complicará ainda mais a vida do Banco Central, que sinalizava uma aceleração no ritmo de corte da Selic. Ele acabou de reduzir de 1,25 ponto percentual para 0,75% ponto percentual a previsão de redução na taxa na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no fim deste mês. “Vai ter corte na Selic porque existem condições macroeconômicas para isso. Mas acho que a autoridade monetária vai ser mais cautelosa”, afirmou ele, que prevê crescimento de apenas 0,1% neste ano. “Vou manter essa previsão, por enquanto, porque ela já está entre as mais pessimistas”, afirmou.


Em nota, o Banco Central evitou comentar o rumo da taxa de juros, pois outro consenso do mercado é que as revisões para a Selic no final do ano já começaram. Quem estava otimista e apostava em 7,5% nos juros em dezembro, como o Itaú Unibanco, está em compasso de espera. A instituição previa corte de 1,25 ponto na Selic neste mês e não comentou o assunto. “As decisões do Copom são tomadas apenas durante as suas reuniões e são divulgadas imediatamente após seu término por meio de Comunicado no sítio do Banco Central da internet”, disse a instituição, em nota. “Não existe possibilidade de antecipação da decisão a qualquer agente, público ou privado. Sinalizações sobre possíveis futuras decisões são emitidas nos documentos oficiais do Banco Central”, completou o comunicado.

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